Havia essa garota, que já passava do seu décimo abalo amoroso. Já não tinha certeza se havia amado de todo o coração, mas ao menos sabia que tentara. Estava cansada de tentativas, de tentar se superar e receber o fracasso como retorno. Concordemos, não há quem não fique com a mente e ânimo desgastados quando não conseguimos algo que há tempos tentamos, e independente do que a fazia querer tanto alguém, ela se sentia assim, cansada.
E havia esse rapaz, diferente, de outro lugar, que não a compreendia muito bem, um tanto voado, mas, havia alguma coisa nele... um olhar diferente dos outros, mais sereno, amigável, embora tímido. Não há nada que ela gostasse mais do que alguém estranhamente desejável.
Apaixonou-se. E ele, disfarçava, parecia não se importar, como se ela não o interessasse. Triste ela ficou. Encontravam-se casualmente em festas. Ele sempre distante, ela sempre triste, deixava transparecer, ele não a entendia.
Tomara coragem de aproximar-se, fazer amizade, mas ela se esquecia que ele era realmente estranho, e para ela, muito, muito desejável. O que ele tinha de tão especial nem ela sabia, pois aparentemente ele era normal, apenas sabia que precisava te-lo junto.
Passaram-se dias, não que ele fosse dia lua, mas seu comportamento era diferente para com ela em todos os dias, e como isso a deixava louca... animadamente louca.
Não se tornaram exatamente amigos, mas sentiam-se próximos. Ela queria que fossem muito mais, se torturava imaginando-os juntos, e ele, afastado, zeloso, sem querer comprometer-se de imediato.
Ao fim desse dia ainda nem se quer trocaram um beijo, mas sabem que isso é questão de tempo, pois há coisas que não importam o quanto demorem para se desenrolar, é certo que mais cedo o mais tarde, iram se consumar.
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